A rebrota da cana-de-açúcar representa uma fase fisiológica determinante para a construção do potencial produtivo do novo ciclo. Após a colheita, a soqueira necessita reorganizar seu metabolismo, mobilizar reservas, reconstruir a área foliar e restabelecer o sistema radicular em um ambiente frequentemente caracterizado por estresse mecânico, déficit hídrico e elevada pressão de nematoides.
Do ponto de vista fisiológico, o desempenho da rebrota depende da velocidade com que a planta sai do estado de dormência relativa e volta a sustentar crescimento ativo. Esse processo exige energia, retomada da síntese proteica, ativação hormonal e reestruturação do sistema radicular, fatores diretamente ligados à capacidade da cultura de explorar água e nutrientes nas primeiras semanas após a colheita.
Nesse contexto, estimular o metabolismo logo na largada favorece três respostas agronomicamente estratégicas: retomada mais rápida do crescimento, maior volume de raízes e maior número de perfilhos viáveis por metro. Em sistemas de produção com restrição hídrica, compactação e pressão de nematoides, essas respostas se tornam ainda mais relevantes porque definem a uniformidade da população de colmos e a sustentação do potencial produtivo ao longo do ciclo.
Papel do Evok
O Evok atua como ferramenta de ativação metabólica no início da rebrota. Sua composição com extrato de Ascophyllum nodosum enriquecidos com alta concentração de L-α-aminoácidos, além de compostos como ácido algínico, betaínas, laminarinas, fenóis e polissacarídeos sulfatados, associados ao estímulo de precursores hormonais como auxinas, citocininas e giberelinas.
Na prática, essa composição favorece ativação radicular, divisão celular, alongamento inicial de folhas e raízes, retomada mais rápida da síntese proteica e maior vigor inicial. A presença de compostos osmoprotetores, como prolina e betaínas, com potencial de reduzir o impacto do déficit hídrico inicial e encurtar o tempo em que a planta permanece em dormência fisiológica.
Como é apresenado nos graficos a seguir, os dados de campo mostram incrementos consistentes em produtividade quando o Evok é aplicado em rebrota via vinhaça localizada. Em Ouroeste (SP), no primeiro corte da variedade RB985517, o ganho obtido foi de 6,6 TCH, 0,4 ATR e 0,7 TAH sobre o controle; em Itumbiara (GO), na variedade IAC 07 8008, o incremento registrado foi de 4,2 TCH, 4,4 ATR e 1,1 TAH.


Papel do Evenwicht
O Evenwicht atua sobre o equilíbrio fisiológico e biológico do sistema solo-planta no início do novo ciclo. Sua proposta é direcionar atividades favoráveis à planta, reduzindo a pressão de patógenos e melhorando a disponibilidade de nutrientes, com benefícios esperados como supressão de patógenos, menor impacto de nematoides na produtividade, estímulo ao enraizamento e à brotação uniforme, maior eficiência no uso da água e melhor aproveitamento de nitrogênio e fósforo.
Evenwicht traz capacidades funcionais como solubilização de fósforo orgânico e inorgânico, inibição de patógenos como Rhizoctonia solani e Fusarium spp., produção de AIA e FBN, reforçando sua proposta de reorganização do microbioma do solo a favor da cultura. Esse reposicionamento microbiológico é especialmente importante em ambientes com alta pressão de nematoides.
Os resultados obtidos em experimento conduzido pelo Prof. Dr. Pedro Soares (UNESP – Jaboticabal) reforçam esse efeito fisiológico. Sob condições de elevada pressão de nematoides, o tratamento com Evenwicht promoveu aumento médio de 17% na massa fresca de raízes para Pratylenchus zeae e de 14% para Meloidogyne javanica, indicando maior capacidade de sustentação do sistema radicular.
Controle dos principais nematoides da cana de açúcar
Pratylenchus zeae

Meloidogyne javanica

Evidências agronômicas
Além do ganho em raízes, o conjunto de resultados reúne evidências de melhoria no ambiente nutricional e fisiológico da planta. Resultados experimentais provenientes de experimento conduzido pelo Prof. Dr. Carlos Alexandre Costa Crusciol (UNESP-Botucatu), em Narandiba (SP), demonstraram que a aplicação de Evenwicht elevou em 17% a atividade de fosfatase ácida, em 26% o fósforo lábil e em 7% o fósforo moderadamente lábil no solo, sugerindo maior dinâmica de disponibilização de fósforo no sistema. No mesmo estudo, também foram observados aumentos de 9% no acúmulo de nitrogênio e de 7% no acúmulo de fósforo na planta.
Esses indicadores ajudam a explicar por que o tratamento com Evenwicht resultou em incremento de 7% na produtividade, equivalente a 5,61 TCH, e de 7% em TAH no experimento de campo executado em Narandiba (SP) na variedade CTC9001, sendo uma cana de 3° corte.

A rebrota bem conduzida é determinante para a expressão do potencial produtivo da cana-de-açúcar, pois define a velocidade de retomada metabólica, a emissão de perfilhos, a formação radicular e a capacidade da planta de suportar estresses iniciais. Nesse cenário, a associação entre Evok e Evenwicht se destaca por atuar de forma complementar, promovendo ativação fisiológica, maior eficiência nutricional, melhor equilíbrio do sistema solo-planta e maior resiliência da cultura. Os resultados discutidos reforçam que a condução técnica da rebrota, com foco em fisiologia e proteção do ambiente radicular, é uma estratégia consistente para sustentar produtividade, uniformidade de estande e construção de alto desempenho ao longo do ciclo.
Por Mariana Ribeiro Engenheira Agrônoma | Kracht Landbouw Wetenschap.